Teste de DNA-HPV passa a ser adotado gradualmente e fortalece a prevenção do câncer de colo do útero

 




 

Vacinação contra HPV é outro pilar fundamental na prevenção e faz parte do calendário nacional


O câncer de colo do útero, um dos mais preveníveis e tratáveis quando diagnosticado precocemente, passa a contar com um importante avanço no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o teste molecular de DNA-HPV está substituindo gradualmente o exame Papanicolau também no Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser adotado de forma definitiva ainda em 2026. 


“Diversos estudos mostram que o teste de DNA-HPV pode identificar lesões precursoras até quatro vezes mais do que o Papanicolau e com até 10 anos de antecedência, permitindo intervenções muito mais precoces”, explica a oncologista Ana Herrera, da Oncoclínicas Londrina.


A especialista afirma que a mudança representa um salto significativo na estratégia de rastreamento da doença. Embora a forma de coleta continue a mesma, realizada por meio do exame ginecológico, o novo teste é mais moderno e sensível. Enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares já existentes no colo do útero, o teste de DNA-HPV detecta diretamente a presença do vírus HPV de alto risco, responsável por praticamente todos os casos desse tipo de câncer.


No Brasil, o rastreamento com DNA-HPV é indicado principalmente para mulheres entre 25 e 64 anos, faixa etária semelhante à recomendação anterior para o Papanicolau. A adoção do novo método reforça a importância da realização regular dos exames, mesmo na ausência de sintomas.


Vacinação e tratamento


Na Oncoclínicas Londrina, as pacientes contam com uma estrutura completa para o atendimento desses casos, incluindo cirurgiões oncológicos, oncologistas clínicos e uma equipe multidisciplinar especializada, além da atuação constante em campanhas de prevenção e rastreamento.


Além do rastreamento, a vacinação contra o HPV é outro pilar fundamental na prevenção. A vacina faz parte do calendário nacional para meninos e meninas de 9 a 14 anos, agora em dose única desde 2024. Para adolescentes não vacinados entre 15 e 19 anos, o Ministério da Saúde prorrogou a estratégia de resgate vacinal até o primeiro semestre de 2026. 


Apesar dos avanços, a incidência do câncer de colo do útero no Paraná ainda preocupa. “Esses números reforçam a necessidade de ampliar a conscientização sobre a vacina e o rastreamento regular”, alerta a oncologista. 


São estimados 790 novos casos/ano no estado conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), mas o Paraná é referência no ranking nacional de cobertura vacinal contra o HPV entre jovens de 9 a 14 anos. Em 2025, o Estado alcançou a 3ª posição para meninos e 4ª para meninas, mantendo índices acima de 85% em ambos os sexos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).


O tratamento da doença é baseado em três pilares: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A boa notícia é que, com o diagnóstico cada vez mais precoce, os tratamentos têm se tornado menos agressivos, possibilitando cirurgias menores e, em alguns casos, a preservação do útero. As técnicas modernas de radioterapia e as novas terapias sistêmicas também aumentaram significativamente as chances de um desfecho clínico favorável.

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