Fevereiro Roxo reforça a importância do diagnóstico e do cuidado integral na Fibromialgia


O mês de fevereiro é marcado pela campanha Fevereiro Roxo, dedicada à conscientização sobre doenças crônicas diretamente relacionadas à atuação da reumatologia, como a fibromialgia e o lúpus eritematoso sistêmico. A mobilização tem como objetivo ampliar o conhecimento da população, combater a desinformação e estimular o diagnóstico precoce e o tratamento adequado dessas condições.


A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dor difusa e persistente em todo o corpo, frequentemente associada a fadiga intensa, sono não reparador, alterações de memória, ansiedade e depressão. Estima-se que cerca de 3% da população brasileira conviva com a doença, principalmente mulheres. Em muitos casos, atividades simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas, fazer compras ou realizar tarefas domésticas, podem representar um grande desafio.


Segundo a Sociedade Paranaense de Reumatologia, a fibromialgia ainda é uma condição pouco compreendida, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. “Na fibromialgia, a dor não é apenas um sintoma, ela é a própria doença. O paciente sente dor de forma mais intensa porque todo o sistema de percepção está regulado para sentir mais dor”, explica o reumatologista Dr. Eduardo Paiva, membro da entidade. Ele ressalta que o diagnóstico é clínico, já que a doença não aparece em exames laboratoriais, que auxiliam para afastar outras doenças.


O especialista também destaca que a fibromialgia não é uma doença psicossomática. “Hoje sabemos, por meio de estudos e exames de pesquisa, que o cérebro desses pacientes realmente processa a dor de maneira diferente. Existe uma hipersensibilidade do sistema nervoso, o que explica a intensidade dos sintomas”, afirma Dr. Eduardo Paiva.


O tratamento da fibromialgia é sempre multidisciplinar e individualizado. A principal estratégia terapêutica é a prática regular de atividade física, especialmente exercícios aeróbicos, que ajudam a regular a percepção da dor. “A atividade física é o pilar do tratamento. Pacientes sedentários devem iniciar de forma gradual, muitas vezes com apoio da fisioterapia. Medicamentos podem ser utilizados para reduzir dor, cansaço e ansiedade, permitindo que o paciente consiga se manter ativo”, orienta o reumatologista.


Além da atividade física e da medicação, o cuidado com a saúde mental é fundamental. Psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, terapia ocupacional e acompanhamento nutricional também fazem parte do tratamento, auxiliando o paciente a lidar melhor com a dor crônica, o estresse e as limitações funcionais.


Recentemente, entrou em vigor a Lei Federal nº 15.176, que trata do reconhecimento da fibromialgia no contexto das políticas públicas de saúde. O texto prevê que pacientes com a condição passem por avaliação biopsicossocial realizada por equipes multiprofissionais, considerando critérios clínicos, funcionais, sociais e ambientais. A regulamentação da lei ainda está em andamento.

Foto: freepik


“Independentemente de aspectos legais, o mais importante é garantir que o paciente seja acolhido, compreendido e tratado de forma adequada. Não existe uma solução única para a fibromialgia. O tratamento envolve entender a doença, manter atividade física regular, realizar alongamentos para aliviar a contratura muscular e utilizar corretamente as medicações indicadas”, conclui Dr. Eduardo Paiva.


Ao longo do mês de fevereiro, o Fevereiro Roxo reforça a importância da informação de qualidade, do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo, destacando que a fibromialgia exige atenção, cuidado integral e abordagem baseada em evidências científicas.

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