A chegada da Páscoa traz consigo um aumento significativo na comercialização e adoção de coelhos. No entanto, o que começa como um presente lúdico para as crianças pode terminar em tragédia para os animais. Autoridades e médicos veterinários alertam que a compra por impulso é a principal causa do abandono de coelhos semanas após o feriado, uma prática que, além de cruel, é crime previsto em lei.
O deputado federal Delegado Matheus Laiola reforça que a vida de um ser senciente não pode ser tratada como um capricho passageiro. "Cada vez mais, os coelhos são cogitados como animais de estimação pelas famílias, principalmente na Páscoa. Na hora que passa a novidade, são descartados como objetos. Isso é crime de maus-tratos", adverte Laiola.
Diferente da imagem popularizada por desenhos animados, a dieta e o manejo dos coelhos exigem rigor técnico. Rafael Binder, médico veterinário, esclarece que a alimentação baseada apenas em cenouras é um mito perigoso. "O coelho deve comer de forma variada: 60% de erva ceifada e seca para o desgaste dos dentes, que não param de crescer, além de vegetais e ração controlada", explica.
Outro ponto crítico é a fragilidade física. Os ossos de um coelho são muito mais sensíveis que os de um cão. "Uma queda pode ser fatal. Jamais se deve pegá-los pelas orelhas", pontua Binder. Além disso, coelhos possuem hábitos específicos: roem fios elétricos se não forem supervisionados e costumam esconder sinais de doenças, exigindo que o tutor seja um observador atento para identificar se o animal parou de comer ou se está excessivamente quieto.
A recomendação das autoridades é clara: se a família não dispõe de tempo, espaço adequado (preferencialmente quintal com grama) e recursos para cuidados veterinários especializados por até oito anos, a melhor opção de presente são os coelhos de chocolate ou de pelúcia. O combate ao abandono começa na consciência de que vidas não são descartáveis.

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